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  ENCONTRO DAS TRIBOS NA JAMAICA


Quando se pergunta à população comum de nossos bairros sobre o sentido que a palavra “reggae” representa para eles, vemos duas faces bem distintas. A primeira é a de uma música de um grupo de pessoas que seguem Bob Marley, geralmente conhecido por ser um grande maconheiro e adorador de um ditador Etíope dos anos 30. Não raro, se referem aos integrantes deste grupo como drogados, sujos e andarilhos sem rumo.

Mas por outro lado, o reggae que é a manifestação cultural do povo Rasta, contagia pessoas sem fronteiras, de forma mágica. Pessoas inúmeras já me disseram que mudaram suas vidas após as palavras do reggae. A pergunta é - Qual é a verdadeira importância do reggae?

Amatullah Carter, uma grande produtora californiana, disse-me certa vez que conheceu sobre o Cristianismo através das letras de Bob Marley. Ele escrevia suas letras baseadas em ensinamentos bíblicos, isto é fato. Fácil concluir então que o foco de sua fé era Cristo, a quem chamamos também de Emmanuel. A vida de um rasta é simplesmente a vida cristã em sua essência. De forma que as palavras que mudam os destinos das pessoas, no reggae, são os ecos do Leão de Judah, as Palavras do Cristo.

A Jamaica por excelência é um país Cristão e o reggae, por natureza é uma de suas vertentes. Para explorar este universo que tanto nos atrai aqui no Brasil, o “Encontro das Tribos” juntamente com Solano Jacob foi até a ilha Caribenha para trazer até vocês um pouco desta cultura que tanto nos importa.

No caminho para a Jamaica, ainda no aeroporto do Panamá, encontramos um dos maiores nomes do reggae mundial, Luciano. Autor de clássicos como Sweep over my soul, Call on Jah, Only a fool, com mais de uma dezena de álbuns lançados, Luciano foi muito gentil ao receber os representantes do “Encontro das Tribos”. Manifestou o seu desejo de estar no Brasil em breve para uma grande turnê e ainda por cima nos deu a honra de cantar junto com ele ao violão de 12 cordas, no saguão do aeroporto, alguns de seus clássicos.

A Jamaica é um país que se situa a poucos graus de latitude norte à linha do equador. Desta forma, o movimento de inclinação do planeta terra que contribui para acentuar as estações de inverno e verão, não produzem tais efeitos na ilha porque o sol acaba chegando sempre a pino. Chegamos ao início do inverno, mas a sensação térmica era de mais de 40ºC. Interessante é que a maioria dos jamaicanos já tem a sua homeostase (regulação interna) adaptada a este ambiente e não perdem muita água por meio do suor. Muitos até vestem calças jeans o dia inteiro e aumentam sua resistência ao calor comendo muita pimenta. Mais fogo impossível! More fya!

O estúdio dos “The Congos” foi o nosso próximo destino. Um pouco afastado de Kingston, numa área chamada de Christian Pen. O nome não poderia ser mais significativo. Uma comunidade vasta nos limites da capital jamaicana, de cunho cristão. Nas paredes da casa dos Congos, vimos diversas pinturas com ícones da cultura local como Marcus Garvey, Haile Selassie I, Lee Perry, Gregory Isaacs e inclusive um afresco da Santa Ceia Etíope com as inscrições ao lado, INRI (Jesus Nazaré Rei dos Judeus). A alegria foi indescritível quando ganhamos alguns exemplares de raridades dos Congos da década de 70 em formato de vinil. Peças singulares!

Tivemos a oportunidade de passar pela casa de um grande amigo meu, Mikey Melody. Na verdade, trata-se do seu estúdio onde freqüentam diversos artistas da cena atual jamaicana. Por lá, encontramos pessoalmente, Lutan Fyah, Luciano novamente, Fantan Mojah, Mark Wonder e Jabari que escreve muitas letras para o Anthony B., Ras Goldie e muitos outros.

No dia seguinte, nosso plano era encontrar Capleton no EABIC – Congresso Internacional Etíope Africano, mais conhecido como Bobo Hill. O movimento Rastafari, organizado e articulado é dividido em algumas “Ordens”. Isto ocorre naturalmente, porque diferentes pessoas têm diferentes formas de enxergar a mesma realidade que os circundam. Sendo assim, na Jamaica existe a Ordem das 12 Tribos, a Ordem Nayabingui e também a Ordem Bobo Ashanti. Os Bobo Ashanti são mais conhecidos por aparecerem sempre de turbante e fazem parte de uma linha mais sacerdotal. São pessoas que vivem para Cristo, o Emmanuel, em uma vida monástica adotando hábitos de preces diárias e serviços no tabernáculo. Guardam o sábado e diversos preceitos judeus do antigo testamento à risca. Capleton, Sizzla, Lutan Fya, Warrior King e Anthony B. são exemplos de Bobo Ashantis que cantam reggae. Apesar de que na visão dos sacerdotes Bobos, o reggae é visto como um subterfúgio da Babilônia que corrompe o homem com desejos, dinheiro e sexo fácil e devassidão.

King Shango, como é conhecido Capleton não estava em Bobo Hill, mas nossa experiência lá foi ótima. Tendo a vista da Bacia de Bull Bay, passamos um bom tempo meditando com os sacerdotes locais e racionalizando sobre os caminhos para viver uma nova vida, da forma como Emmanuel nos ofereceu. Em amor, misericórdia e valorizando o que mais temos de precioso, a família.

Em Bobo Hill todas as pessoas se dirigem às outras com a mão ao peito dizendo “Blessed Love”, que significa “Bendito Amor”. Este tipo de reverência ao encontrar outro ser humano onde quer que seja, traz o entendimento de que somos todos partes da criação do mesmo Deus e, portanto, ao ver o próximo, percebemos que a vida de cada ser é fruto de um Amor incondicional por parte de Jahoviah.

O encontro com Capleton ocorreu no dia seguinte e de forma surpreendente. Fomos recebidos em sua própria casa, a David House. Este nome também pode significar não somente a casa onde ele mora, feita de tijolos, mas o grupo de músicos que trabalham junto com ele e que incluem vocalistas como Jah Thunder, Military Man, Kulcha Nox e Moses I. Capleton muito simpático nos presenteou com uma cópia de sua nova música que só sairá oficialmente no mês de julho – “Some Day”. O “Encontro das Tribos” gravou algumas imagens do King Shango especialmente para o público que nos acompanha e você poderá conferir aqui no site.

Os jamaicanos quando vêem alguém de fora, logo pensam que é turista perdido e até para lhe dar uma informação eles cobram dólares. Por outro lado, temos pessoas em demasia hospitaleiras e se existe um homem que não podemos deixar de mencionar ele é Chinna Smith. Um dos guitarristas mais famosos de todos os tempos, já tocou com Bob Marley nos Wailers, acompanhou Ziggy Marley desde o início de sua carreira e em muitos álbuns dos Congos, Dennis Brown, Julian Marley, Kiddus I vemos a sua participação. O quintal de sua casa é famoso pelos DVDs intitulados “Inna De Yard” e que são gravações de diversos artistas como Roots Radics, e astros do filme “Rockers” ao vivo e diretamente do quintal de sua casa.

Levamos para Chinna clássicos em mp3 da música brasileira, entre eles: Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Zé Geraldo, Ney Matogrosso e Toquinho. Ele manifestava muita alegria com a música brasileira rica em dissonâncias e intervalos não tão usuais no reggae. Mas nada o encantava tanto como Milton Nascimento. Ele até sabia algumas canções de cor e balbuciava as melodias vocais pelo fato de não saber com precisão o português.

No nosso último dia, fomos a um centro histórico. A casa que se situa na Hope Road, número 56. Trata-se da casa de Bob Marley e que foi transformada em um museu com direito a um café acoplado e algumas lojas de produtos como roupas, discos e souvenires da família Marley. Quem já assistiu aos vídeos do Marley jogando futebol com seus amigos em uma casa na Jamaica, saiba que foi justamente lá que estivemos. O acesso à parte interna da casa custa 10U$ e faz parte de um pacote turístico guiado por um profissional qualificado e com duração aproximada de 1 hora.

Atualmente, o povo jamaicano tem passado por uma crise devido a um grande traficante internacional que está sendo procurado pela polícia norte-americana, Duddus. Como conseqüência, vemos claramente no país um clima ainda tenso e em rumores de mais dificuldades eminentes. Apesar de ser uma situação delicada para nós neste ambiente hostil, temos também a oportunidade de viver a história nas suas minúcias e momentos únicos.

Confirmamos que o reggae na Jamaica é um grande empreendimento e vemos muitas pessoas que tiram o seu sustento dos projetos desta música. As pessoas na verdade já acordam ouvindo reggae e alimentam-se dele, parte integrante da identidade nacional. Na Jamaica, apesar das precariedades sociais e condições de miséria, o povo ainda acredita no reggae como meio de sua libertação. Parece que não é uma ilusão, pois se não fosse assim, não teria persistido por mais de 40 anos, crescendo a cada dia no mundo inteiro.

Paz e Graça sem fim a todos.

SOLANO JACOB

 
Fonte: PRODUÇÃO ENCONTRO DAS TRIBOS E SOLANO JACOB

ENCONTRO DAS TRIBOS NA JAMAICA
 
   
 
   
   
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